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LUTO

Fábio Junior Presente! Caminhada em Solidariedade à Família Enlutada, por Justiça e Paz

Publicado: Sexta, 15 de Março de 2019, 14h52 | Última atualização em Terça, 17 de Setembro de 2019, 09h07 | Acessos: 423

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 A caminhada em solidariedade à família do discente Fábio Junior da Silva, ocorreu no dia 12/03/2019, organizada pelo Instituto de Estudos do Xingu - IEX/Unifesspa, juntamente com familiares, amigos e demais membros da comunidade São Felense. FABIO JUNIOR PRESENTE, QUEREMOS JUSTIÇA! foi a mola que nos moveu diante de tamanha barbárie. Queremos justiça, paz, amor, solidariedade. Queremos um mundo mais humano! Queremos um mundo melhor!

Ao final da caminhada, tivemos uma mesa com representantes do poder público local, para discutir sobre a violência em São félix do Xingu. Na ocasião, familiares e amigos de Fábio Junior clamaram por justiça, não apenas para esse caso em especial, mas por todos os outros, de extrema violência, que tem ocorrido em São Félix do Xingu, sobretudo na Vila Nereu. O Padre Danilo, representante da Comissão de Justiça e Paz, argumentou que muitos casos de violência, em especial o caso Fábio Junior, ocorrem pela intolerância ao diferente.

O Promotor de Justiça, Carlos Fernando, acrescentou que são inúmeros os casos de violência no município e que o machismo contribui em grande parte para isso. Ações machistas não afetam apenas as mulheres, homens também são afetados. "Desde criança, menino brinca de carrinho, menina de boneca", "homem não chora", dentre tantas outras falas e ações machistas que presenciamos constantemente. Essas ações, contribuem para que tenhamos homens machistas, que prescisam se autoafirmar como "machos" em todo o tempo, para isso, muitas vezes, se utilizam especialmente de violência física, moral e psicológica.  

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Nesse contexto, cabe a universidade, promover discussões acerca dos problemas que se manifestam em uma sociedade, na qual é cada vez mais presente, uma "cultura da violência". E, assim, construir um espírito crítico e sentimento de humanidade, capazes de estimular nessa sociedade uma "cultura da paz".

 

Diante do exposto, mantém-se viva a esperança de um mundo melhor, com menos ódio, menos violência e menos dor. Em espírito de solidariedade, nos despedimos do nosso querido Fábio Junior, com o poema de Rubem Braga "Despedida", o qual exprime nossos mais sinceros sentimentos:

 

"E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil. 

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. 

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo." 

Rubem Braga

 

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